Uma crente no mundo dos cosplays



Não sei como vou começar essa história… ah, vai pela forma convencional. Eu nasci de novo em Jesus Cristo no ano de 1997, numa pequena igreja de vertente batista da cidade São Vicente (litoral paulista) chamada Betel, nesse dia fui a única a aceitar Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Minha mãe e meu pai eram de vertente pentecostal (daquelas que tacam fogo no rabo do capeta), mas naquele momento estavam frequentando essa igreja por dois motivos: era mais próxima de casa e era um local que me agradava, porque ficava irritada com os ventos pentecostais da denominação anterior, não me acostumava com as manifestações espirituais decorrentes na igreja.

Eu tinha nessa época o frescor dos 19 anos.

Fui uma adolescente nerd, gamer e otaku, da década de 90, influenciada pelo meu irmão que adorava ler comics, jogar vídeo-game e assistir desenhos animados (CDZ ERA NOVIDADE NA ÉPOCA!!!!!), gostava também de RPG, pelo menos de ler os livros Vampire: A Máscara, Lobisomem Apocalipse e dentre outros títulos (culpa da minha vizinha, tinha um a biblioteca vasta na sua casa!). Era uma jovem adolescente com a cabeça de fantasias e personagens pululando na sua imaginação ou na ponta de um lápis, numa folha de papel ou escrevendo estorinhas fantásticas.

É, eu era assim. Como? Não é mais?

Quando aceitei a Jesus as pessoas ficaram com aqueles esteriótipos “você é crente, não pode gostar mais disso, não pode ler mais aquilo, bláblábláblá...” TANTO DO LADO EVANGÉLICO quanto do LADO DO MUNDO. Mas, onde estava a liberdade cristã que ouvi falar? Ela veio representada pela minha mãe quando a questionei “Eu tenho que largar tudo que gosto?” ela na simplicidade me respondeu, que o Espírito Santo me orientaria, se ele me tocasse para abandonar, eu faria e nem ia perceber, ou então ele usaria isso como seu instrumento para alcançar os outros para Jesus.

Pois é, aí que eu vi que Deus usa as coisas loucas para confundir as que são sãs. Na igreja em que congregava, usei meus talentos de desenhos e fiz muitos materiais didáticos para escola bíblica de férias (era o período que mais trabalhava para o Senhor, porque eu já lecionava) e como sentia alegria com isso, cartazes, folhetos, xerox para pintar. Sempre no estilo de traço, o Mangá.
Os anos foram passando, as igrejas foram mudando, mas sempre lidando com jovens. Creio que meus gostos e preferências foi a vocação que Deus me deu. Porque conhecedora dessa cultura pop e professora sempre foram portas abertas para falar de Jesus Cristos a todo tipo de pessoas.

Certo, mas onde se encaixa o cosplay nessa história?

Entra em 1998 ou 1999. Quando estava na faculdade, já lecionava como professora eventual e pagava minhas próprias contas (a mensalidade principalmente) Quando tinha um dinheirinho extra (raro, mas tinha) subia para o mundo civilizado chamado São Paulo e ia para eventos de otakus, um muito conhecido o Mangácom. Ia eu e mais uma amiga, a Vita, vou chamá-la pelo apelido. Lá a gente viu, o que era o mundo otaku. Ficamos piradas! Íamos com nossas pastinhas de desenhos e trocávamos figurinhas com outros fãs. Até que vimos os COSPLAYS!!!!!

Pessoas vestidas de Yusuke Urameshi, Kyo Kusanagi, Yori Yagamami, Goku e por ai vai. Eu achei aquilo muito legal. mas também um desperdício de dinheiro, coisa de doido, ou de pessoa exibida. Na verdade, deveria ser dor de cotovelo mesmo, por que eu era uma dura. Já minha amiga Vita entrou de cabeça, até hoje é cosplayer e uma ótima cosplayer! Tínhamos uma associação chamada UFO (União Força Otaku) em Santos e reuníamos para falar de tudo referente a esse universo. E eu sendo a “crente” aproveitava as oportunidades e falar de Jesus para o pessoal que frequentava, e Deus sempre me deu a sabedoria para abordá-las. Fiz inúmeras amizades.

Separei-me dessa amiga, a vida continuou, casei, vim morar na Praia Grande, meu marido também gostava muito desse universo otaku e nerd, tínhamos amigos em comum que frequentava aquela associação (é eu e meu marido nos conhecemos lá, eu ensinava desenho de graça….) porém já tive também muitas experiências amargas nesse mundo otaku, um grande motivo para ter me afastado e me dedicado a vida de uma pessoa comum: casa, marido, trabalho, igreja ou igreja, marido trabalho  casa. Impedia meu marido de se “misturar” com esse povo, porque era muito “treteiro” e fútil. Íamos até em evento com os amigos como diversão, mas queria estar afastada desse mundo. Só que os cosplays sempre fascinavam, meu marido era louco por fazer um, tinha projetos com os amigos, mas eu sempre era a pedra no caminho….não queria e ponto.  No entanto, quando isso é um chamado e Deus te deu o talento para coisa, não adianta fugir, Ele te alcança não importa o tempo. Ele me deu a capacidade de desenhar, escrever histórias e habilidades artesanais e manuais, e sabe o que mais? Um marido com os mesmos gostos e talentos!

Eu e o meu marido tivemos muitos problemas com o nosso casamento, chegando ao ponto de nos separar, cada um levar sua vida. Mas Deus agiu, e nos juntou de novo. Nos deu um novo lugar para louvá-lo e caminharmos juntos em Cristo. Ai que o cosplay entrou de cabeça na minha vida.
Foi em 2014, fui obrigada a tirar uma licença médica de 120 dias!  E uma licença psiquiátrica. Tava ao ponto de matar um na sala, "AH, MAS ISSO ACONTECE COM CRENTE?" acontece, se não acontecesse eu seria arrebatada, e não passaria pelas tribulações como Jesus falou, mas ele mesmo falou para entregarmos em suas mãos nosso fardo.

O psiquiatra, mandou escolher entre três opções de tratamento: terapia em grupo, cuidar de crianças ou artesanato. Confesso que as duas primeiras opções já estava enfadada (a vida inteira lidando com o público, jovem e crianças) então optei pelo artesanato. Todavia não me via fazendo tricô, pintando quadros ou arranjos de flores. Eram delicados demais…

Então, num dia qualquer dentro da minha licença médica questionando para Deus o porquê passar por isso? Pois já estava entediada de casa, igreja, shopping, internet e afazeres domésticos. veio em minha mente: FAÇA COSPLAY!
Me perguntei e perguntei para voz: Sério? E a voz confirmo: sim faça, você vai melhorar e poderá falar de Jesus para outras pessoas. Pensei que era minha consciência. Até ver que eu lidava com instrumentos e materiais artísticos com extrema facilidade, não com maestria, mas com facilidade.
Meu marido embarcou nessa, primeiro não acreditou, duvidou que eu iria a um evento fantasiada. Entrei em contato com minha amiga Vita e ela me apoiou como tratamento (sim, tínhamos contato ainda!) Para falar a verdade, eu também sabia que não apareceria com fantasia, expondo minha cara. Ai a Vita  sugeriu para fazer uma máscara, assim eu ficaria mais à vontade. Dai veio a ideia de fazer nosso primeiro cosplay de Plants vs Zombies, um joguinho muito conhecido dos celulares. Eu era a plantinha e meu marido o zumbi.



Estrelamos nosso cosplay no ANIME FRIENDS de 2014 um dos maiores eventos de cultura pop e nerd de São Paulo, não levamos folhetos evangélicos mas palavras:  “obrigada”, "Deus te abençoe” e principalmente “Jesus te ama” foi o que mais falei no evento. A gratificação maior era ver a felicidade das pessoas, criança gritando querendo tirar uma foto, e escutando que alguém muito especial amava ela. Eram tanta gente que queria tirar foto, que de cinco em cinco minutos eramos abordados. Ganhamos até Muppy. O vínculo do cosplay também me permitiu estreitar a amizade com essa amiga a Vita, aparecendo sempre oportunidade de falar de Jesus para ela e sua família; e fortificou a minha união com o meu marido, porque estávamos unidos num propósito.

Podemos espalhar o evangelho também para outros otakus e nerds quando se estabelece contato via facebook. E tenho um grande aliado para alcançar esses jovens: A página Otaku Cristão.

Em 2015 fomos a vários eventos e sempre que possível, levamos um folhetinho, nem que seja escrito um Jesus te ama ou o versículo chave de todo evangelismo João 3:16. É gratificante ver a alegria do jovem e adulto, seja com o cosplay ou a palavra confortadora do Evangelho de Jesus. Já passamos também, por situações difíceis nesse meio, como falta de orçamento para o cosplay, tentações para inflar o nosso eu, intrigas e tretas, muitas tretas, que acontecem em qualquer meio artístico.

Mas em tudo dai graças a Deus, ele é o centro de nossa vida, tudo dedique a ele.

Porém vale muito a pena passar por esse combate, ser o sal da terra, pois conhecemos pessoas lindas que podem ficar mais lindas ao conhecer o brilho de Jesus. Vale a pena jogar essa sementinha, sempre! Pois creio que Deus mandará agricultores e ceifeiros para completar a obra,

Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho. Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus. 1 Coríntios 3:6-9

Por Bianca Moura da Cruz – Professora de Língua Portuguesa na Rede Estadual de Ensino do Estado de São Paulo  e Professora de Língua Inglesa na Rede Municipal da cidade de São Vicente, SP.

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Sobre Otaku Cristão

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